já não sei escrever
sem alma
em vão procuro o fogo da tua fonte
corpo fátuo que me roubou a alma
que tempo?
os dias as horas os minutos, que segundos se vertem para saciar o teu o meu desejo.
e há esse silêncio
harpa
meu corpo feito harpa
acordes sem dó maior
melodia tocada pelos teus dedos
de si mesmo sinfonia
12 palavras em meio a tantas outras
E é a magia de sentir os teus olhos verdes de poesia
cravados na ternura das minhas mãos e a saudade batendo
forte como as ondas desse amor que não apagam o meu sorriso.
em ti os meus sentidos
na tua pele deixei inscritos todos os meus sentidos
olhei-te, atrevidos os olhos de te despir
ouvi-te, alertados os ouvidos aos teus sons
cheirei-te, estremecidas as narinas com teu odor
toquei-te, cravadas as mãos no teu corpo
saboreei-te, esfomeada a boca de ti
a página 75
no livro aberto, acaricio a página (a 75), desenhando, com a ponta do dedo, o teu nome. percorro-a letra a letra, cavalgando o corpo do poema como se teu corpo fosse. devagar, desembrulho a dor que adormece o meu olhar, adivinhando o teu que ficou preso nas palavras. e sorrio, rio, entonteço. e sonho mais uma vez que ainda sou o teu amor.
o silêncio
o silêncio de gelo
atravessa a parede do coração
queima
sufoca
o silêncio de morte
cerca a casa do corpo
corta
fere
e mata
